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“Eu sei que possa parecer clichê, idiota, auto-destrutível, sem sentido e perda de tempo. Mas sei lá, eu gosto de depositar meus versinhos pra você. Seja na última página do caderno de geografia ou em uma página de internet, tanto faz. Mas quer saber? Eu ainda me lembro do primeiro dia que vi seu sorrisinho torto iluminar aquela sala cheia de pessoas desconhecidas. 2010, primeiro dia de aula. Em meio ao alvoroço, eu caminhava tentando achar um lugar pra guardar minhas coisas no armário, foi difícil, confesso. Eu nunca gostei de lugares baixos demais, e ter que abaixar pra pegar os livros de matemática toda vez que a professora se complicasse e decidisse dar deveres ao invés de explicar a maldita matéria. Nem de lugares muito altos. Na verdade, não era bem uma opção. Eu sempre fui a baixinha que sofria pra alcançar no topo do armário e precisava subir na cadeira pra apagar a lousa. E você veio até mim. Eu fiquei te encarando por uns três minutos e pensei “Cara, você é idêntico ao Edward Cullen.” Só eu achava isso. Sei lá. Devia ser muito fanatismo por Crepúsculo. Você sorriu pra mim, abriu sua boca que poderia muito bem se moldar a minha sem problema algum, e disparou: “Ei, você é dessa sala?” Claro que não, idiota. Eu só estava lá a passeio. Mas seus olhos azuis - que você insiste em dizer que são verdes, cinzas, ou qualquer cor bizarra - me encantaram. Tudo que eu pude fazer foi balançar a cabeça em sinal de afirmação e sair andando, tropeçando nos meus próprios pés. Parabéns, você havia me deixado desnorteada no primeiro dia de aula, realmente, incrível. O sinal bateu, a professora chegou, e fez questão de fazer as apresentações. Cada aluno novo deveria dizer o seu primeiro nome e a escola de que tinha vindo. Eu me esforcei em usar o tom de voz mais apropriado possível, e olhei pra você, pensando se meu nome, ou minha voz de hamster de desenho animado - como você mesmo diz - pudesse ter algum efeito sobre você. Fracasso. Você parecia nem se importar. E foi assim pelo resto da aula. Eu sentava na primeira carteira e você na última do canto, um tanto misterioso. Eu não parava de olhar e tentar desvendar os seus mistérios. Eu tentava desviar o olhar quando seus olhos se encontravam com os meus, mas era em vão. Você deve ter pensando o que aquela garota nova-enxerida tanto olhava pra você. E finalmente, eu te conheci. Seu nome possuía cinco letras e seu sobrenome do meio era engraçado. Você era extrovertido e amigo de todo mundo - e eu também queria que se tornasse meu. E tinha a voz mais linda que eu já tinha ouvido. Eu não te amava. Não, ainda não. Eu só te achava lindo demais pra ser verdade, confesso. Um ano inteiro. E eu comecei a amar você. Amar os mínimos detalhes e sua carinha quando tinha que falar em público. Você era tímido na frente dos outros. Mas só eu sabia o quanto linda tua timidez poderia ser. Eu pedia aos céus todos os dias pra que o meu “Oi” ingênuo fosse correspondido. Eu pulava de alegria quando nossos olhares se cruzavam e ficava pensando em você o dia todo quando nos esbarrávamos no corredor. Quando você pediu meu lápis emprestado, eu prometi pra mim mesma, que iria guardar aquele lápis pra sempre - coisa de menina boba apaixonada. Você fez questão de perder inúmeros lápis meus e quase perder o meu celular. Você fez questão de cada dia demonstrar mais um motivo pra eu me apaixonar. Você faz questão de olhar com aquela carinha pidona de por favorzinho só pra eu me derreter toda e fazer o que você quiser. Você me conquistou. Eu prometi a mim mesma que não iria me apaixonar. Não depois de todas as paixonites infantis. Mas se tornou amor. A-m-o-r. As quatro letrinhas que eu tanto temia. Eu me considerava fria demais pra que alguém entrasse em meu coração e se apossasse dele - pra sempre. E você conseguiu. Não nego, você foi ótimo. Missão cumprida, mais uma garotinha que o coração pertence a mim. Mas sei lá. Eu gosto. Eu gosto quando meu coração acelera e as borboletas dançam no meu estômago quando eu estou com você. Pode parecer absurdamente idiota, mas eu gosto de sentir falta do seu abraço apertado todos os dias. Eu gosto de sentir o cheiro do seu perfume e gosto quando você se espreguiça invadindo minha carteira sem pudor. Eu gosto que meu coração pertença a você. E eu queria que nem uma mínima partezinha sua pertencesse a mim. E pode passar dias, semanas, meses ou anos, tanto faz. Eu ainda vou sonhar com os dias em que vamos cantar Never Gonna Be Alone juntos e ficar abraçadinhos lendo os meus versinhos de amor. Eu sei que é estranho e auto-destrutivo, mas eu cansei de tentar fingir que eu não pertenço a você. Porque cada pequenino detalhe é seu. Você pode levar até os defeitos, se quiser. Mas por favor, não leva meu coração embora não, tá? Porque ele está guardado com você, pra sempre.”
— Eu nunca tinha ouvido The Beatles antes de saber que você gostava, Fernanda A. (via littlebitchh)
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“É muito passado para pouco presente. É muita história para tão poucas páginas. Folhear a vida e ler que na verdade nada mais faz sentido. É, tenho que admitir que as coisas mudaram. Mudei tanto. Para mim e para o mundo. A mudança veio enfim… E me restou sim, algum sorriso nos lábios e um brilho flamejante nos meus olhos. Porque nada se perde totalmente e o que já senti um dia, se eu revirar, se eu remexer, encontro no brechó do meu coração, mesmo que esteja rasgado ou sujo. De tudo, sempre fica um pouco de nada. Todo branco que dá, escurece com o tempo. E o tempo não perdoa ninguém. Ele vem e te arrasta. Sua opção é ir. Não há outra. Não adianta. Eu fui. Na verdade, estou indo. E vou com os olhos bem abertos e atentos, com o coração desconfiado e com a cabeça fresca para absorver as coisas. Um filtro para processar o que eu encontrar pelo caminho. Às vezes é essa coisa de ficar pensando demais que me faz achar que eu estou doente. Às vezes é essa dúvida que me destaca das pessoas comuns e faz de mim uma “figura”. Talvez eu seja mesmo essa “figura”. Às vezes é tudo isso ou nada disso. É tudo junto e destacado por aí. Espalhado, fragmentado. E eu recolho os pedaços, tentando não me repetir. Às vezes, é isso. É só isso.”